A vocação de ser pescador de homens

Por Pe. Roberto J. Gottardo,SJ

Até o presente momento Jesus, cheio de compaixão, se dirigia às multidões dispersas, cansadas e exaustas que perambulavam pelo mundo quais ovelhas sem pastor. Não se trata apenas das multidões do passado, mas também àquelas do mundo contemporâneo: as multidões de famintos, de refugiados, de desempregados e excluídos dos perversos sistemas sócio-políticos e econômicos. Jesus deseja criar no seu entorno uma pequena comunidade de discípulos que fiquem com ele e o ajudem nesta ingente tarefa de fazer germinar na terra o “princípio da misericórdia”.

O que é fé? Termo bastante problemático e muitas vezes incompreendido, usado e abusado, é admiravelmente descrito no episódio da pesca que envolve Pedro e companheiros (cf. Lc 5,1-11) Fé é confiar e obedecer aos comandos de Deus sem regateios: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. É impossível pretender agradar a Deus sem fé (cf. Heb 11,6). É a fé que, às vezes, falta à nossa religiosidade, à nossa oração, à nossa ação evangelizadora, às lideranças. Estamos, sim, sempre mais racionalistas, imediatistas e dispostos a confiar em nós mesmos, nos nossos projetos, nos nossos grupos e nas nossas atividades pastorais. Daí os vergonhosos fracassos. 

Pedro, homem rude e tosco da Galileia, teimoso e impulsivo, não tinha a mínima ideia que ao “obedecer” a ordem do Mestre estava iniciando uma aventura, ou melhor, uma viragem definitiva. A fé não se deixa agrilhoar nas limitações pessoais nem nos condicionamentos culturais, mas é um acicate fenomenal (remédio) para se escapar da mediocridade e da indolência que impede Deus de trabalhar em nós. Diante da abundância de peixes (frutos), Pedro estupefato reage: “Afasta-te de mim porque sou pecador!” e Jesus sorri. A história demonstra que os limites de Pedro se tornaram a plataforma onde o novo povo de Deus se firmará, precisamente na descoberta radical dos seus limites iniciará o seu serviço de “apascentar as ovelhas” depois da ressurreição.

No evangelho vimos que, no horizonte da atividade de Cristo desponta a figura de Pedro e de alguns companheiros que estavam trabalhando. Eles participaram de fato prodigioso, mas continuam a ser os pobres homens como eram antes. Pedro confessa-o em seu próprio nome declarando-se pecador. Diante da verdade esplendorosa de Deus, Pedro descobre a sua própria verdade e sente-se indigno. Não há revelação de Deus sem consciência das próprias mazelas. Só podemos conhecer a infinita grandeza de Deus à medida que nos damos conta do nosso nada. 

Efetivamente, a eficácia da pesca milagrosa não se deveu à habilidade e/ou recursos dos pescadores, mas à obediência à ordem dada por Jesus, ou seja, o mérito do êxito foi a fé no poder da Palavra. A inutilidade dos esforços noturnos indica a vaidade de todos os esforços humanos feitos por iniciativa própria para estabelecer o reino de Deus. Só na obediência à palavra do Senhor se pode obter aquilo que se apresenta impossível às expectativas humanas. A fé não tem outro suporte senão a força criadora da palavra de Deus e a resposta humana. 

Movido pela fé e antevendo o futuro Jesus muda o nome de Simão para Pedro e dá-lhe uma nova missão: “Não tenhas medo! Doravante serás pescar de homens”. Pedro recebe a sua missão no momento em que se reconhece pecador. Isto significa que não fracassará no pecado da infidelidade, porque sua vocação se funda no chamado e na fidelidade de Deus: Simão tornar-se-á Pedro e receberá a tarefa de confirmar os seus irmãos na fé precisamente quando tiver superado completamente suas fragilidades, infidelidades e pecado (cf. Lc 22,31-34). Portanto, não será “pedra” pelas suas qualidades, mas pelo sim à fé e pela fidelidade de Deus.

Estes pescadores, embrião do projeto de Jesus, acreditaram na palavra de Cristo, abandonam imediatamente os barcos e as redes e seguiram Jesus, diz-nos o evangelho. Jesus os envia para libertar os homens do poder das trevas e para anunciar o reino de Deus, como ovelhas no meio de lobos. A ação missionária de Jesus começa, portanto, com o chamado desse punhado de pobres e ingênuos pescadores da Galileia, que abandonam o seu trabalho e se aventuram nos mares tempestuosos da vida para levar a Boa Nova a todos os povos da terra e livrá-los da morte eterna. Mas para serem verdadeiros discípulos de Jesus tiveram de abdicar de tudo, começando por abandonar-se à Providencia para se tornarem propriedade exclusiva de Cristo. 

O Papa Bento XVI, escreveu: “O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina; e a fraqueza humana não deve ser óbice quando Deus chama. É preciso ter confiança na sua força que atua precisamente na nossa pobreza; temos de confiar sempre mais no poder da sua misericórdia, que transforma e renova”, e não nas nossas presunções.


Até o presente momento Jesus, cheio de compaixão, se dirigia às multidões dispersas, cansadas e exaustas que perambulavam pelo mundo quais ovelhas sem pastor. Não se trata apenas das multidões do passado, mas também àquelas do mundo contemporâneo: as multidões de famintos, de refugiados, de desempregados e excluídos dos perversos sistemas sócio-políticos e econômicos. Jesus deseja criar no seu entorno uma pequena comunidade de discípulos que fiquem com ele e o ajudem nesta ingente tarefa de fazer germinar na terra o “princípio da misericórdia”.

O que é fé? Termo bastante problemático e muitas vezes incompreendido, usado e abusado, é admiravelmente descrito no episódio da pesca que envolve Pedro e companheiros (cf. Lc 5,1-11) Fé é confiar e obedecer aos comandos de Deus sem regateios: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. É impossível pretender agradar a Deus sem fé (cf. Heb 11,6). É a fé que, às vezes, falta à nossa religiosidade, à nossa oração, à nossa ação evangelizadora, às lideranças. Estamos, sim, sempre mais racionalistas, imediatistas e dispostos a confiar em nós mesmos, nos nossos projetos, nos nossos grupos e nas nossas atividades pastorais. Daí os vergonhosos fracassos. 

Pedro, homem rude e tosco da Galileia, teimoso e impulsivo, não tinha a mínima ideia que ao “obedecer” a ordem do Mestre estava iniciando uma aventura, ou melhor, uma viragem definitiva. A fé não se deixa agrilhoar nas limitações pessoais nem nos condicionamentos culturais, mas é um acicate fenomenal (remédio) para se escapar da mediocridade e da indolência que impede Deus de trabalhar em nós. Diante da abundância de peixes (frutos), Pedro estupefato reage: “Afasta-te de mim porque sou pecador!” e Jesus sorri. A história demonstra que os limites de Pedro se tornaram a plataforma onde o novo povo de Deus se firmará, precisamente na descoberta radical dos seus limites iniciará o seu serviço de “apascentar as ovelhas” depois da ressurreição.

No evangelho vimos que, no horizonte da atividade de Cristo desponta a figura de Pedro e de alguns companheiros que estavam trabalhando. Eles participaram de fato prodigioso, mas continuam a ser os pobres homens como eram antes. Pedro confessa-o em seu próprio nome declarando-se pecador. Diante da verdade esplendorosa de Deus, Pedro descobre a sua própria verdade e sente-se indigno. Não há revelação de Deus sem consciência das próprias mazelas. Só podemos conhecer a infinita grandeza de Deus à medida que nos damos conta do nosso nada. 

Efetivamente, a eficácia da pesca milagrosa não se deveu à habilidade e/ou recursos dos pescadores, mas à obediência à ordem dada por Jesus, ou seja, o mérito do êxito foi a fé no poder da Palavra. A inutilidade dos esforços noturnos indica a vaidade de todos os esforços humanos feitos por iniciativa própria para estabelecer o reino de Deus. Só na obediência à palavra do Senhor se pode obter aquilo que se apresenta impossível às expectativas humanas. A fé não tem outro suporte senão a força criadora da palavra de Deus e a resposta humana. 

Movido pela fé e antevendo o futuro Jesus muda o nome de Simão para Pedro e dá-lhe uma nova missão: “Não tenhas medo! Doravante serás pescar de homens”. Pedro recebe a sua missão no momento em que se reconhece pecador. Isto significa que não fracassará no pecado da infidelidade, porque sua vocação se funda no chamado e na fidelidade de Deus: Simão tornar-se-á Pedro e receberá a tarefa de confirmar os seus irmãos na fé precisamente quando tiver superado completamente suas fragilidades, infidelidades e pecado (cf. Lc 22,31-34). Portanto, não será “pedra” pelas suas qualidades, mas pelo sim à fé e pela fidelidade de Deus.

Estes pescadores, embrião do projeto de Jesus, acreditaram na palavra de Cristo, abandonam imediatamente os barcos e as redes e seguiram Jesus, diz-nos o evangelho. Jesus os envia para libertar os homens do poder das trevas e para anunciar o reino de Deus, como ovelhas no meio de lobos. A ação missionária de Jesus começa, portanto, com o chamado desse punhado de pobres e ingênuos pescadores da Galileia, que abandonam o seu trabalho e se aventuram nos mares tempestuosos da vida para levar a Boa Nova a todos os povos da terra e livrá-los da morte eterna. Mas para serem verdadeiros discípulos de Jesus tiveram de abdicar de tudo, começando por abandonar-se à Providencia para se tornarem propriedade exclusiva de Cristo. 

O Papa Bento XVI, escreveu: “O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina; e a fraqueza humana não deve ser óbice quando Deus chama. É preciso ter confiança na sua força que atua precisamente na nossa pobreza; temos de confiar sempre mais no poder da sua misericórdia, que transforma e renova”, e não nas nossas presunções.

 
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