Cheios do Espírito Santo

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia se exprimissem” (cf. At 2,4). 

O livro dos Atos dos Apóstolos assevera que graças à experiência de Pentecostes os discípulos ficaram cheios do Espírito Santo. Que significa, existencial e eclesialmente, estar cheio do Espírito Santo? Vamos responder esta palpitante questão buscando inspiração nos escritos de Santo Antônio. Ele atesta que quem está repleto do Espírito Santo efetivamente fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência, a justiça, a obediência, a paz, o amor oblativo, etc.; falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos, quando somos a mudança que anunciamos aos demais, quando não há divórcio entre a fé que professamos e a vida que levamos, quando denunciamos as forças do antireino, praticamos a solidariedade e promovemos a vida.  

O Santo de Pádua e de Lisboa é categórico ao afirmar que a linguagem é viva quando falam as obras. Cessem, portanto, as palavras e falem as obras. De belos discursos e de demagogia religiosa estamos saturados, mas de obras vazios; por este motivo nos amaldiçoa o Senhor, como amaldiçoou a figueira em que não encontrou fruto, mas somente folhas. Diz São Gregório: “Há uma norma para o pregador: que faça aquilo que prega”. Em vão pregará os ensinamentos da lei, se destrói a doutrina com as más obras, com o contratestemunho e com a hipocrisia. Que adianta, por exemplo, um catequista (ou os próprios pais) insistir para os catequisandos irem à igreja e participarem das missas, se não dá o exemplo?   

Os Apóstolos agiam e falavam conforme a linguagem que o Espírito Santo lhes comunicava. Fiel é quem procede e fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não segundo as conveniências pessoais! Falar segundo o Espírito é ir na contramão do mundanismo e das expectativas do público, quase sempre afeito às exterioridades e às aparências. Em termos pessoais, estamos cheios do Espírito quando ousamos a nos perguntar o porquê de certas práticas religiosas, quando intuímos que precisamos aprender e/ou que precisamos mudar o modus operandi e o modo de pensar, para viver com mais coerência o evangelho.   

Há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como próprias, atribuindo-as a si mesmos. Dos farsantes da religião, dos lobos travestidos de ovelhas e dos falsos profetas e de outros como eles, fala o Senhor pelo profeta Jeremias: “Não se assemelha ao fogo minha palavra, qual martelo que fende a rocha? Eis-Me contra os profetas que roubam uns aos outros as minhas palavras. Eis-Me contra os profetas que forjam a sua linguagem para proferir oráculos. Eis-Me contra os profetas que profetizam sonhos mentirosos e, contando-os, seduzem o povo com mentiras e jactância, não os tendo Eu enviado nem dado ordem alguma a esses que não são de nenhuma utilidade para este povo” (cf. Jr 23,29-32).  

Falemos, por conseguinte, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos concede; e peçamos-lhe, humilde e devotamente, que derrame sobre nós a sua graça, para que possamos celebrar o dia de Pentecostes com a acuidade dos cinco sentidos e a observância do evangelho, nos reanimemos com o forte vento do comprometimento com a justiça do Reino e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores de Deus e a prática da caridade, a fim de que, informados e iluminados pelo esplendor da santidade, mereçamos um dia realizar o desejo mais profundo que se aninha no nosso coração, contemplar o Deus uno e trino face a face na glória do Céu, na companhia de Nossa Senhora, dos Santos e dos Anjos. 

Oremos com o Cardeal Verdier:

Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer, o que hei de calar, o que hei de escrever, o que hei de fazer, como hei de fazer, para a Vossa glória, para o bem das almas e a minha própria santificação.
Ó meu bom Jesus, em Vós ponho toda a minha confiança.
Ó Espírito Santo, respirai em mim para que seja santo o meu pensar.
Impeli-me ó Espírito Santo, para que seja santo o meu agir.
Atraí-me, ó Espírito Santo, para que eu ame o que é justo e santo.
Fortalecei-me, ó Espírito Santo, para que eu proteja e promova o que é santo.
Protegei-me, ó Espírito Santo, para que jamais eu perca a consciência da vocação à santidade. Amém.

 
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