Algumas observações à luz da experiência pascal do apóstolo Tomé para membros das equipes de Liturgia da paróquia de Santo Antônio de Sinop:
(1) A fé é uma relação profunda, pessoal e diferenciada; relação de amor, de conhecimento, de crescimento através das pessoas, dos encontros, dos gestos de amor, das mudanças na vida.
(2) A fé nasce a partir do encontro e da experiência com o Deus vivo, não com ideias e/ou teorias sobre a divindade; é uma relação íntima, vital e profunda que evolui e se expande.
(3) Quando se participa – e não ‘se assiste’ - da Eucaristia, por exemplo, devemos fazê-lo para alimentar uma relação de amor, e não por mera formalidade e/ou obrigação. A relação com Deus jamais pode ser reduzida a uma espécie de apêndice da vida, mas de ser, de verdade, o suspiro d’alma. A presença do Ressuscitado é o vento que anima a vida Igreja e de todo cristão.
(4) Muitas pessoas costumam afirmar: "Vou à Igreja quando tenho vontade". É estranha e inconsequente tal atitude, pois quando se ama alguém de verdade se deseja ardentemente vê-lo/a, encontrá-lo/a, abraçá-lo/a e estar com ele.
(5) Os apaixonados gostam de contatar-se e ver-se a todo instante. Casar-se é o modo mais razoável, previsível e inteligente para "ver-se para sempre", para estar juntos e se viver a união de corações (“um só corpo e uma só alma”), que é a realização da vontade de Deus.
(6) Uma relação saudável parte da premissa da comunicação e do contato íntimo, fecundo e visceral. Muitas pessoas vão à Igreja, mas sem coração, sem alma, sem motivação: não participam, não se expõem, não se envolvem. São àquelas pessoas chatas, ignorantes e farisaicas, via de regra, mais preocupadas com o relógio do que com a escuta da Palavra que questiona e, às vezes, fere os brios.
(7) Desgraçadamente, quando não há efetiva intimidade com Deus, não há também encontro vital nem com o Senhor nem com os irmãos/ãs, e as relações tendem a permanecer frias e enrijecidas. Assemelha-se a experiência de alguém que vai se encontrar com a pessoa amada e não demonstra nenhum afeto por medo, insegurança e/ou por falso pudor.
(8) Há também aquelas pessoas que frequentam a igreja, mas não ouvem o evangelho, são impermeáveis quando não blindadas ao toque do Espírito. Analogamente, esta atitude equivale estar com a pessoa amada (realidade), mas com a cabeça em outras paragens (intenção impura).
(9) Algumas pessoas da assembleia litúrgica se distraem facilmente com as pilhérias de crianças, outras estão atentos às “gafes” para depois futricar, outros ainda não conseguem fazer silêncio interior nem exterior, demonstrando assim pouca reverência, intimidade e profundidade para com as coisas de Deus. E o que dizer daquelas pessoas que durante a celebração ficam fuçando o celular! Há superficialidade demais!
(10) Sempre que vou (vamos) à Missa necessito tocar o Senhor, senti-lo, experimentá-lo. É imperioso fazer a experiência de algo que impressiona, que encanta e que “sacia e satisfaz a alma”, que preenche a nossa sede de infinito. Sempre que participo da Missa sou capaz de apresentar ao Senhor as minhas feridas? A Liturgia, neste sentido, constitui o leitmotiv da celebração. Tudo deve ser bem planejado e feito com esmero e muito carinho para que os fiéis retornem para suas casas animados e motivados a amar sempre mais Aquele que se fez Caminho, Verdade e Vida, “em tudo amando e servindo”.
(11) As mãos são os membros do corpo que mais usamos para escrever, trabalhar, limpar, lavar, acarinhar, dirigir, etc. em tudo, usamos as mãos. Então se vou à igreja e apresento as minhas feridas ordinárias, os pensamentos que me perturbam, os pensamentos obsessivos, os medos que impedem de exprimir-me, os litígios, as incompreensões, os acessos de pânicos, os preconceitos, as mentiras, as covardias, a depressão, é salutar escutar as santas palavras: “A paz esteja contigo, não tenha medo; eu estou contigo”. O Ressuscitado é Aquele quem rompe as portas fechadas e tem a força para curar feridas e levantar o indigente.
(12) Todos nós necessitamos de palavras que curam, que libertam e que consolam o coração. É muito bom readquirir confiança e reconhecer que o Ressuscitado está comigo. Ele revela toda a sua beleza, singularidade e esplendor quando somos capazes de partilhar “o pão nosso de cada dia”. Neste sentido, a Eucaristia é o maior e o mais original dom de amor. É reponsabilidade da Liturgia fazer a glória de Deus brilhar.