O seguimento de Jesus implica amor, lucidez e liberdade

Quem nos ajuda a compreender o evangelho de Mc 8,34-9,1 é o saudoso Pe. Lino Pedron.  Seguir a Cristo é uma escolha livre porque pressupõe uma escolha fundada no amor; e não pode haver amor sem liberdade. A liberdade é a substancia do amor. Porém, seguir Jesus sempre foi uma escolha escandalosa: significa renunciar a si mesmo e abraçar a cruz. E é precisamente neste ponto decisivo que se dá o embate entre a verdadeira fé e o fetiche e/ou ideia caricata de Deus.

A vocação que distingue o cristão é a participação afetiva e efetiva no mistério da morte e da ressurreição de Cristo. Pedro ao reconhecer e confessar que Jesus era o Cristo de Deus dava a impressão de ser um homem de fé (cf. Mc 8,29), mas na realidade, ele teve seríssimas dificuldades para digerir o significado mais profundo da messianidade de Cristo: a cruz.

A fé deve ser compreendida como uma forma de viver, um estilo de vida e não uma teoria a mais; a fé é uma maneira de viver e de entregar a vida como Jesus. À luz da fé a morte deve ser entendida como o corolário da vida, porque, libertando-nos completamente do egoísmo narcisista, o discípulo se torna capaz do maior e mais definitivo ato de amor a Deus.

A cruz que devemos tomar e carregar todos os dias sem resmungar é a luta constante contra nossa autorreferencialidade (egoísmo), as nossas falsas seguranças e as nossas vaidades. No mundo romano a cruz era o suplício aplicado aos bandidos e aos criminosos. O cristão, como Cristo, deve procurar viver como servo de todos e senhor de ninguém.

Paradoxalmente, “negar-se a si mesmo” é a plena realização de si mesmo; significa vencer o falso/postiço eu, os ídolos e o amor ao dinheiro, a raiz de todo mal. Via de regra, o homem ao sentir-se pequeno, insignificante e desamparado começa a sonhar com grandezas: tornar-se rico, poderoso e orgulhoso. É aí que mora o perigo. Na verdade, ele só se realiza quando se torna semelhante a Deus, de quem é a imagem e semelhança. E Deus é amor, dom, serviço, pobreza, humildade.

A conquista da vida eterna depende de nossa postura em relação a Jesus e ao seu evangelho, da adesão ao projeto de Jesus. Nosso destino eterno está ligado à nossa fidelidade ou infidelidade à sua palavra de Deus. Tomar a própria cruz significa personalizar o destino de Jesus e torná-lo visível ao mundo, um destino de morte e ressurreição. Haja fé e haja disposição! 

Pretender “salvar a própria vida” significa sentir “vergonha de Jesus e das suas palavras perante esta geração adúltera e pecadora”. Significa acovardar-se e fugir dos compromissos batismais, significa preferir as comodidades mundanas que configurar-se à vida de Jesus, significa priorizar os projetos e interesses pessoais em detrimento das urgências do Reino e do evangelho. Certamente, este é o maior pecado que acomete muitíssimos batizados, e o menos reconhecido e confessado. 

A vida é o bem supremo e inegociável. Entretanto, quem ama verdadeiramente a sua vida deve confiá-la a Jesus e deixar-se plasmar pelo Espírito: "Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida" (cf. 1Jo 5,11-12).

É fato. Entre os obstáculos que mais impedem as pessoas de tomarem sua decisão em favor de Cristo está a vergonha. Excelente escudo forjado pelos covardes e mornos que se esquivam das exigências da fé e das necessidades da comunidade! A vergonha é o medo de ser ridicularizado, marginalizado e odiado (cf. Jo 15,18-25; 16,20). O cristão autêntico deve ter a coragem de ser "diferente do mundo" para ser mais parecido com Deus. Jesus não se encarnou no mundo para jogar para a plateia. 

No dia do juízo final (cf. Mt 25,31-46) seremos julgados de acordo com os critérios do evangelho de Cristo e não segundo os cânones das ciências deste mundo. São Paulo recorda-nos: “Esta palavra é certa: se morrermos com Cristo, com ele viveremos; se perseverarmos com ele, com ele reinaremos; se o negarmos, ele também nos negará” (cf. 2Tm 2,11-12).

 
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