É chegada a hora, e é agora, de termos a coragem de parar pelo menos por dez minutos diante do mistério do Verbo encarnado que vem vindo, para contemplá-lo e reverenciá-lo.
Quantos Natais já comemoramos?
E o que dizer de todos aqueles que se perdem com quinquilharias “natalinas” e se esquecem do essencial, ou seja, do festejado?
É bom termos a graça de nos encontrarmos como família, é bom nos confraternizarmos, é bom cultivarmos esperança, é bom dar e receber presentes, mas isto “os pagãos também fazem”. Acima de tudo é bom reconhecer o bem que Deus está realizando ao entrelaçar Sua história de amor com as nossas pequenas historinhas cotidianas.
Aprendamos de Zacarias que, após nove meses de silêncio “obsequioso” (cf. Lc 1,22) aprendeu a ver para além das aparências e do imediatismo, superando a visão petrificada dos conceitos religiosos e se abrindo à fé transformadora (cf. Lc 1,67-79).
Aprendamos a silenciar para contemplar a beleza de Deus estampada no Presépio e aprendamos reconhecer a obra de Deus em nós e no nosso entorno!
Deixemo-nos impactar pela mensagem do Menino destinado a ser “sinal de contradição” (cf. Lc 2,34).
Preparemo-nos, pois, bendizendo a Deus, reconhecendo o bem e fazendo o bem.
Segue o belíssimo e luminoso poema “Que, neste Natal, o amor te abrace” da cronista Daniela Barreira (in: imissio.net), com livres adaptações de Pe. Gottardo,SJ.
Que, neste Natal, o amor nos abrace com tanta verdade que faça milagres acontecerem.
Que, neste Natal, o amor nos abrace e nos impregne do perfume divino que é a alegria.
Que, neste Natal, um abraço nos abrigue como porto seguro.
Que, neste Natal, a mão de Deus nos ampare e nos conforte.
Que, neste Natal, um olhar diferente envolva e faça vibrar a nossa alma.
Que, neste Natal, um sorriso nos abrace e cative o nosso coração.
Que, neste Natal, a ternura do Menino-Deus nos cuide e nos cure.
Que, neste Natal, um colo nos aconchegue e faça tudo serenar.
Que, neste Natal, uma palavra nos fale do coração e ao coração.
Que, neste Natal, um silêncio escute os profundos “reclames” da nossa alma.
Que, neste Natal, uma companhia nos aguarde, nos guarde e nos seja sempre presente.
Que, neste Natal, um gesto de bondade torne tudo melhor e nos faça confiar.
Que, neste Natal, alguém nos queira bem de verdade, sem nenhum interesse.
Que, neste Natal, aprendamos que ter (e ser) um bom coração é o que interessa.
Que, neste Natal, o amor nos salve e nos abrace.
Que, neste Natal, o amor seja o SOL nos dias cinzentos, a LUZ na escuridão e PAZ em meio às intempéries da vida.
Que, neste Natal, o amor nos mostre o aspecto maravilhoso do mundo e a dimensão fascinante da vida.
Que, neste Natal, o amor nos invada e faça novas todas as coisas.
Que, neste Natal, o amor nos traga a magia que acende todas as estrelas.
Que, neste Natal, o amor acenda em nós a chama da esperança de “um novo céu e de uma nova terra”.
Que, neste, Natal, Deus nos encontre acordados e que nossos corações estejam abertos para acolher as surpresas de Deus.
Que, neste Natal, o amor nos abrace e nos acarinhe.
Que, neste Natal, possamos descobrir que o abraço divino-humano é tudo o que importa.
Porque este abraço é a resposta àquilo que mais desejamos, que dá sabor e sentido a tudo.
Que, neste Natal, Deus não nos encontre indiferentes e distraídos com as fantásticas atrações e distrações mundanas.
Que, neste Natal, aprendamos que é na simplicidade do Presépio que Deus revela todo o seu esplendor e beleza.
Feliz e santo Natal do Senhor!