Aumentar Fonte +Diminuir Fonte -A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética todos os anos propõem, no contexto do “Mês da Bíblia” um livro bíblico para aprofundamento. O livro escolhido para 2023 foi a Carta aos Efésios, a partir do sugestivo tema: “Vestir-se da nova humanidade” (cf. Ef 4,24).
Com o objetivo de oferecer algumas “chaves de leitura” para facilitar a leitura da Carta, o nosso pároco, Pe. Roberto J. Gottardo,SJ, nos brindou com um primoroso encontro de formação, cujo início se deu às 19h30 e se estendeu até às 21h. Percebe-se a necessidade e o interesse que as pessoas sentem em buscar uma melhor compreensão e aprofundamento da Bíblia.

Pe. Roberto, através de slides, fez uma síntese do excelente conteúdo desenvolvido pelo conhecido biblista, professor Francisco Orofino (Youtube) sobre a “Carta de São Paulo aos Efésios”. Ficou muito claro que a partir da teologia do Batismo, os grandes esforços de Paulo era criar uma comunidade onde todos pudessem vivenciar a igualdade fundamental porque “Deus não faz acepção e pessoas” (cf. At 10,34). Reinava entre os cristãos provindos do paganismo e do judaísmo profundas divergências. Daí a urgência em “destruir o muro da separação” (cf. 2,14).

O lema “vestir-se de uma nova humanidade” sugere despir-se do “homem velho” para vestir-se de Cristo (cf. Ef 4,17-24), para constituir o novo povo de Deus (Igreja), sem preconceitos e sem resistências. No contexto da redação da Carta haviam barreiras culturais (patriarcalismo) que se apresentavam intransponíveis e ai de quem ousasse questioná-las. É neste contexto que devemos entender a “moral doméstica” apresentada pelo autor do texto (cf. Ef 5,21-33.6,1-9). Não obstante ter sido um período de ferozes perseguições e de martírios para os cristãos, a Igreja (segunda geração de cristãos) se expandia e crescia, com a participação efetiva de leigos (Áquila e Priscila) e com lideranças intrépidas e carismáticas, fortes núcleos de Cristandade antiga foram se configurando: a Igreja mãe de Jerusalém, Antioquia, Éfeso, Constantinopla e Roma.

A Carta aos Efésios “é o mais antigo tratado teológico sobre a Igreja, a base de toda a eclesiologia cristã. A reflexão sobre o mistério de Cristo continua no mistério da Igreja. A Igreja é a visibilidade do Corpo de Cristo”. Segundo o Orofino, a grande meta do estudo da carta aos Efésios é ajudar o povo assumir a eclesiologia do Papa Francisco, ou seja, acolher de bom grado e com criatividade, a noção de Igreja sinodal (convergência de caminhos), uma igreja aberta à participação de todas as pessoas batizadas. Não é coerente com a fé cristã uma comunidade povoada de gente preconceituosa, fanatizada, sectária e fechada às novidades do evangelho de Jesus.

Ao fazer alusão ao cristianismo pasteurizado que vivemos, Pe. Roberto fez uma amarga constatação: incontáveis são os batizados que vivem numa espécie de ateísmo prático. Lembrou de uma previsão de um teólogo protestante inglês, Spurgeon: “Chegará um dia em que no lugar dos pastores alimentando as ovelhas, haverá palhaços entretendo os bodes”. Devemos recuperar o Jesus do evangelho e não aquele interpretado por oportunistas. Em muitos ambientes o Senhor Jesus se tornou mera mercadoria (e vende muito!) e/ou ídolo, para não dizer osso na boca de cães. Daí a importância de estudar a Bíblia com amor, e não tê-la como mero enfeite em nossas casas.


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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética todos os anos propõem, no contexto do “Mês da Bíblia” um livro bíblico para aprofundamento. O livro escolhido para 2023 foi a Carta aos Efésios, a partir do sugestivo tema: “Vestir-se da nova humanidade” (cf. Ef 4,24).
Com o objetivo de oferecer algumas “chaves de leitura” para facilitar a leitura da Carta, o nosso pároco, Pe. Roberto J. Gottardo,SJ, nos brindou com um primoroso encontro de formação, cujo início se deu às 19h30 e se estendeu até às 21h. Percebe-se a necessidade e o interesse que as pessoas sentem em buscar uma melhor compreensão e aprofundamento da Bíblia.

Pe. Roberto, através de slides, fez uma síntese do excelente conteúdo desenvolvido pelo conhecido biblista, professor Francisco Orofino (Youtube) sobre a “Carta de São Paulo aos Efésios”. Ficou muito claro que a partir da teologia do Batismo, os grandes esforços de Paulo era criar uma comunidade onde todos pudessem vivenciar a igualdade fundamental porque “Deus não faz acepção e pessoas” (cf. At 10,34). Reinava entre os cristãos provindos do paganismo e do judaísmo profundas divergências. Daí a urgência em “destruir o muro da separação” (cf. 2,14).

O lema “vestir-se de uma nova humanidade” sugere despir-se do “homem velho” para vestir-se de Cristo (cf. Ef 4,17-24), para constituir o novo povo de Deus (Igreja), sem preconceitos e sem resistências. No contexto da redação da Carta haviam barreiras culturais (patriarcalismo) que se apresentavam intransponíveis e ai de quem ousasse questioná-las. É neste contexto que devemos entender a “moral doméstica” apresentada pelo autor do texto (cf. Ef 5,21-33.6,1-9). Não obstante ter sido um período de ferozes perseguições e de martírios para os cristãos, a Igreja (segunda geração de cristãos) se expandia e crescia, com a participação efetiva de leigos (Áquila e Priscila) e com lideranças intrépidas e carismáticas, fortes núcleos de Cristandade antiga foram se configurando: a Igreja mãe de Jerusalém, Antioquia, Éfeso, Constantinopla e Roma.

A Carta aos Efésios “é o mais antigo tratado teológico sobre a Igreja, a base de toda a eclesiologia cristã. A reflexão sobre o mistério de Cristo continua no mistério da Igreja. A Igreja é a visibilidade do Corpo de Cristo”. Segundo o Orofino, a grande meta do estudo da carta aos Efésios é ajudar o povo assumir a eclesiologia do Papa Francisco, ou seja, acolher de bom grado e com criatividade, a noção de Igreja sinodal (convergência de caminhos), uma igreja aberta à participação de todas as pessoas batizadas. Não é coerente com a fé cristã uma comunidade povoada de gente preconceituosa, fanatizada, sectária e fechada às novidades do evangelho de Jesus.

Ao fazer alusão ao cristianismo pasteurizado que vivemos, Pe. Roberto fez uma amarga constatação: incontáveis são os batizados que vivem numa espécie de ateísmo prático. Lembrou de uma previsão de um teólogo protestante inglês, Spurgeon: “Chegará um dia em que no lugar dos pastores alimentando as ovelhas, haverá palhaços entretendo os bodes”. Devemos recuperar o Jesus do evangelho e não aquele interpretado por oportunistas. Em muitos ambientes o Senhor Jesus se tornou mera mercadoria (e vende muito!) e/ou ídolo, para não dizer osso na boca de cães. Daí a importância de estudar a Bíblia com amor, e não tê-la como mero enfeite em nossas casas.


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