Aumentar Fonte +Diminuir Fonte -Nos dias 27 a 30 abril de 2023 o Clero da Diocese Sagrado Coração de Jesus esteve reunido na Casa Shalom para o Retiro anual. O pregador foi o jesuíta, Pe. Adroaldo Palaoro (Itaici – SP) que, à luz da espiritualidade inaciana, ajudou-nos deveras a mergulhar na misericórdia de Deus. Seguem algumas “pinceladas” do rico e fecundo conteúdo partilhado pelo capixaba (conterrâneo do Pe. João Salarini,SJ), com encantadora simplicidade e unção.
Segundo Palaoro, os Exercícios Espirituais (EE) permitem ao exercitante reconhecer que tudo procede das entranhas da Trindade Santa, experiência esta que desperta gratidão, encantamento e reverência em nós. Porém, por sermos criaturas limitadíssimas, fazemos também a experiência das resistências, dos entraves, dos medos e dos tantos fantasmas que nos assaltam que obnubilam a nossa capacidade de perceber o esplendor da criação.

Fomos criados por amor e para amar, mas facilmente nos perdemos na lama da iniquidade. Ainda bem que a misericórdia do Pai nos socorre! É preciso considerar que em meios aos terrores que se abateram contra Jesus no Calvário, situação tão dramática e cruel que fez, aparentemente, a divindade se esconder, a glória do Pai resplandeceu. Mas não é fácil reconhecer a presença de Deus quando nos encontramos em meio aos furacões existenciais. Com fé incendida é preciso dar-se conta de um dado fundamental: não obstante o peso terrível do pecado o Crucificado encontrou forças para debelar o mal que praticamos e nos libertar dos aguilhões que causam tanta dor e desconforto, com o perdão libertador.

Diante do Senhor amoroso, mas crucificado por causa da injustiça, da ignorância e da cegueira humana, devemos perguntar, com Santo Inácio de Loyola: Que fiz? Que estou fazendo? Que farei por ti, Senhor? Excelente assunto para se meditar, sacar proveito espiritual e tomar decisões que efetivamente impactem nosso estilo de vida, nossa vida de fé e a qualidade da nossa vida relacional (com Deus, com a natureza, com o outro e comigo mesmo). É fato que, às vezes, cedemos à mediocridade e à normose com preocupante facilidade.

Porém, o pregador deixou claro para todos que a resposta ao chamado de Cristo é uma questão de sedução e de afeto (cf. Jer 20,7), e não de belas teorias, racionalizações e voluntarismo. Sem paixão e sem afeto o seguimento se torna estéril, burocrático, frio e previsível. Os EE se apresentam como “escola dos afetos”. Os afetos arrastam, as ideias, não.

A propósito: Os nossos afetos estão realmente radicados na causa do Reino? Deus nos chama para trabalhar com Ele e para Ele na construção do reinado do Pai. Às vezes, enquanto igreja, confundimos os meios (leis, normas, religião, doutrina) com os fins (a identificação com Cristo, a prática das bem-aventuranças, a construção do reino). Aí, talvez, resida a fonte de tantos equívocos e mal-entendidos na vida religiosa. Para Santo Inácio a pessoa vale pela causa que abraça. É preciso rezar a própria vocação sabendo que a resposta ao divino chamado é processo gradual que se manifesta no estilo de vida cristificado, na obediência aos desejos do Bom Pastor (cf. Jo 10,11).

O percurso dos EE é afetivo, enseja conduzir o exercitante a reconhecer as afeições desordenadas (ídolos) e pôr a vida em ordem para, então, dispor-se a buscar a vontade de Deus. O seguimento de Jesus exige notável investimento de afeto. Há afirmações evangélicas que causam arrepio: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”, ou seja, ao dinheiro (cf. Mt 6,24). Os afetos nascem das nossas profundezas, são o motor da nossa vida, são eles que permeiam as nossas decisões. São eles que movimentam e dinamizam a vida.
Bispo Dom Canísio Klaus, com os quatro Jesuítas: Pe. Adroaldo Palaoro, SJ, Pe. Roberto J. Gottardo, SJ, Pe. Ivo H. Mueller, SJ e Pe. Marcelo P. da Costa, SJ
Portanto, para alguém aderir à proposta do Reino deve estar disposto a fazer investimento afetivo que implica pôr ordem aos afetos desordenados, pôr à disposição de Deus as energias, o precioso tempo, os talentos pessoais, com generosidade e espírito de gratuidade. A responsabilidade é tremenda: \"Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois os meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (cf. Jo 13,34-35).

O arremate do Retiro aconteceu na Catedral, às 18h, com a Missa dos Santos Óleos e/ou Missa da unidade presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Canísio Klaus, com excelente participação de fiéis. Na celebração, além da benção dos óleos que serão usados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos durante o corrente ano, ocorreu também a renovação das promessas sacerdotais de todos os Presbíteros presentes.
Tudo para a maior glória de Deus e pela santificação do povo de Deus.
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Nos dias 27 a 30 abril de 2023 o Clero da Diocese Sagrado Coração de Jesus esteve reunido na Casa Shalom para o Retiro anual. O pregador foi o jesuíta, Pe. Adroaldo Palaoro (Itaici – SP) que, à luz da espiritualidade inaciana, ajudou-nos deveras a mergulhar na misericórdia de Deus. Seguem algumas “pinceladas” do rico e fecundo conteúdo partilhado pelo capixaba (conterrâneo do Pe. João Salarini,SJ), com encantadora simplicidade e unção.
Segundo Palaoro, os Exercícios Espirituais (EE) permitem ao exercitante reconhecer que tudo procede das entranhas da Trindade Santa, experiência esta que desperta gratidão, encantamento e reverência em nós. Porém, por sermos criaturas limitadíssimas, fazemos também a experiência das resistências, dos entraves, dos medos e dos tantos fantasmas que nos assaltam que obnubilam a nossa capacidade de perceber o esplendor da criação.

Fomos criados por amor e para amar, mas facilmente nos perdemos na lama da iniquidade. Ainda bem que a misericórdia do Pai nos socorre! É preciso considerar que em meios aos terrores que se abateram contra Jesus no Calvário, situação tão dramática e cruel que fez, aparentemente, a divindade se esconder, a glória do Pai resplandeceu. Mas não é fácil reconhecer a presença de Deus quando nos encontramos em meio aos furacões existenciais. Com fé incendida é preciso dar-se conta de um dado fundamental: não obstante o peso terrível do pecado o Crucificado encontrou forças para debelar o mal que praticamos e nos libertar dos aguilhões que causam tanta dor e desconforto, com o perdão libertador.

Diante do Senhor amoroso, mas crucificado por causa da injustiça, da ignorância e da cegueira humana, devemos perguntar, com Santo Inácio de Loyola: Que fiz? Que estou fazendo? Que farei por ti, Senhor? Excelente assunto para se meditar, sacar proveito espiritual e tomar decisões que efetivamente impactem nosso estilo de vida, nossa vida de fé e a qualidade da nossa vida relacional (com Deus, com a natureza, com o outro e comigo mesmo). É fato que, às vezes, cedemos à mediocridade e à normose com preocupante facilidade.

Porém, o pregador deixou claro para todos que a resposta ao chamado de Cristo é uma questão de sedução e de afeto (cf. Jer 20,7), e não de belas teorias, racionalizações e voluntarismo. Sem paixão e sem afeto o seguimento se torna estéril, burocrático, frio e previsível. Os EE se apresentam como “escola dos afetos”. Os afetos arrastam, as ideias, não.

A propósito: Os nossos afetos estão realmente radicados na causa do Reino? Deus nos chama para trabalhar com Ele e para Ele na construção do reinado do Pai. Às vezes, enquanto igreja, confundimos os meios (leis, normas, religião, doutrina) com os fins (a identificação com Cristo, a prática das bem-aventuranças, a construção do reino). Aí, talvez, resida a fonte de tantos equívocos e mal-entendidos na vida religiosa. Para Santo Inácio a pessoa vale pela causa que abraça. É preciso rezar a própria vocação sabendo que a resposta ao divino chamado é processo gradual que se manifesta no estilo de vida cristificado, na obediência aos desejos do Bom Pastor (cf. Jo 10,11).

O percurso dos EE é afetivo, enseja conduzir o exercitante a reconhecer as afeições desordenadas (ídolos) e pôr a vida em ordem para, então, dispor-se a buscar a vontade de Deus. O seguimento de Jesus exige notável investimento de afeto. Há afirmações evangélicas que causam arrepio: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”, ou seja, ao dinheiro (cf. Mt 6,24). Os afetos nascem das nossas profundezas, são o motor da nossa vida, são eles que permeiam as nossas decisões. São eles que movimentam e dinamizam a vida.

Bispo Dom Canísio Klaus, com os quatro Jesuítas: Pe. Adroaldo Palaoro, SJ, Pe. Roberto J. Gottardo, SJ, Pe. Ivo H. Mueller, SJ e Pe. Marcelo P. da Costa, SJ
Portanto, para alguém aderir à proposta do Reino deve estar disposto a fazer investimento afetivo que implica pôr ordem aos afetos desordenados, pôr à disposição de Deus as energias, o precioso tempo, os talentos pessoais, com generosidade e espírito de gratuidade. A responsabilidade é tremenda: \"Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros, Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois os meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (cf. Jo 13,34-35).

O arremate do Retiro aconteceu na Catedral, às 18h, com a Missa dos Santos Óleos e/ou Missa da unidade presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Canísio Klaus, com excelente participação de fiéis. Na celebração, além da benção dos óleos que serão usados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos durante o corrente ano, ocorreu também a renovação das promessas sacerdotais de todos os Presbíteros presentes.
Tudo para a maior glória de Deus e pela santificação do povo de Deus.
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